Presidida pela vereadora Mariana Calsa (PSB), a Comissão de Educação e Ciências da Câmara Municipal de Limeira realizou uma audiência pública para debater o fechamento de salas de aula do ensino fundamental 1 e do período noturno pelo Governo do Estado de São Paulo.
A audiência contou com a participação de representantes de setores educacionais, como Secretaria Municipal de Educação, CAMPL Patrulheiro, ETEC Trajano Camargo, Apeoesp, Fórum Municipal de Educação e Conselho Municipal de Educação. A deputada estadual Marina Helou (PSB) participou representando a Comissão Gestora do Plano Estadual de Educação de São Paulo. Nenhum representante da Secretaria Estadual de Educação compareceu para esclarecer sobre as demandas apresentadas.
Um ofício foi encaminhado ao Governo Estadual solicitando a relação detalhada, por ano, das salas de aula de Ensino Médio Noturno e Ensino Fundamental I desativadas ou fechadas em Limeira a partir do ano de 2023. Também houve questionamento sobre uma eventual lista de espera para ingresso de alunos nessas modalidades de ensino. Até o momento não foi recebida resposta.
Durante a audiência, os participantes fizeram relatos da atual situação e um dos apontamentos foi que apenas duas escolas estaduais oferecem o 1º ano do ensino médio no período noturno. O que causa transtorno para os alunos e dificulta o ingresso desses jovens em programas de menor aprendiz.
Em relação ao fechamento de turmas do ensino fundamental 1, o secretário de Educação do Município, Antônio Montesano Neto, relatou que foram extintas nas escolas estaduais Luigino Burigotto, na Vila Labaki, e Dorivaldo Damm, no Pinhal. Também disse que foi informado de forma extraoficial que serão fechadas salas na escola Lázaro Duarte do Páteo.
Todos os participantes destacaram a importância da disponibilização do ensino médio noturno para os alunos que buscam uma colocação no mercado de trabalho, principalmente como jovens aprendizes. De acordo com os representantes tanto do Campl, como da Ete, a falta de vagas prejudica os jovens que muitas vezes perdem a oportunidade de obter um trabalho, uma vez que estar matriculado é uma condição necessária para a entrada em programas de estágio.
O representante da Apeoesp ressaltou que o Governo do Estado justifica o fechamento de salas como uma reorganização devido à falta de demanda, e que os alunos são realocados em escolas da cidade com até dois quilômetros de distância de onde estudavam originalmente, no entanto, afirmou que grande parte deles acabam abandonando os estudos, diante da dificuldade de deslocamento
O jovem Anthony Fraceto da Silva, que é vereador júnior, falou como estudante e trabalhador do ensino médio no período noturno e relatou que mora próximo à escola, mas que não é a realidade de grande parte de seus colegas, que moram longe e precisam pegar ônibus para retornar para casa, muitas vezes saindo mais cedo das aulas devido ao horário do transporte coletivo. Em desabafo, disse que tem a impressão que o Estado fecha os olhos para os jovens. “Eles deveriam abrir mais salas, oferecer um ensino de qualidade. O Estado deveria defender esse tipo de ensino, porque evitariam a evasão escolar e evitariam a superlotação de salas. Tanto se fala sobre evasão escolar, mas fecham os olhos para os estudantes que precisam conciliar o trabalho com os estudos e muitas vezes precisam escolher o trabalho ao invés da escola por não ter a oportunidade de estudar no período noturno. Fechar essas salas é excluir ainda mais aqueles que têm dificuldades”, observou.



